Afinal, o que é terror?

Afinal, o que é terror?

Existem limites possíveis para um gênero?

Fora do cinema – e fora da cultura pop – os limites dos gêneros são muito sutis e servem muito mais para a academia do que para a apreciação do publico em si. Não nos importa muito se o que Dostoievsky escreveu foi terror, drama, tragédia, comédia, o que nos interessa de fato é que é genial, poderoso, capaz de sintetizar como poucos a existência humana. Dito isso, me deixa surpreso que grandes obras, principalmente no cinema, fracassem, ou tenham seus méritos questionados, por conta de uma escolha puramente comercial como é a de “gênero”.

O medo está em todo o lugar

A primeira vez que li A METAMORFOSE, de Franz Kafka, o impacto em mim foi tamanho, tamanho foi o assombro, que nada demove minha ideia de que esse é um clássico do horror. A história daquele indivíduo isolado, incapaz de conhecer a verdadeira razão para sua ruína, mortalmente ferido pelo aparente acaso, é por demais assustadora para que eu não o classifique como terror. E isso vale para obras tão distintas quanto o “Senhor das Moscas” e “O mal-estar da civilização”: ambas nos jogam de frente ao nosso pior, a tudo aquilo que foge ao nosso controle, sem nunca propor exatamente uma saída. E isso, sem sombra de dúvida, é a própria essência do que o terror significa para mim, essa inevitável sensação de abandono, de incapacidade. Finalmente, vamos voltar ao cinema…

Decidirem para você pode te privar de coisas boas

Adoro a ideia que surgiu com Netflix e o Youtube. O streaming pode nos conectar a uma quantidade enorme de obras e outros tipos de narrativas – é só ver a quantidade de filmes orientais que estão disponíveis no Netflix Brasil. Mas, infelizmente, esse mesmo streaming está nos deixando preguiçoso… e mais limitados.

Ao entrarmos no gênero terror dentro do Netflix BR, vemos uma seleção muito suspeita: temos filmes infinitamente menores como “Todo mundo em pânico” e somos privados de pérolas como “Labirinto de um fauno”, que está perdida lá dentro de categorias que os fãs de terror, via de regra, fogem como o diabo foge da cruz. Se você cede a preguiça e entrega seu gosto na mão dessa ideia de que as coisas podem ser separadas por gêneros tão precisos , pode acabar perdendo maravilhas como “Velvet Buzzsaw” ou “O Bar”. O mesmo vale para a crítica especializada, que na tentativa de encaixotar os filmes, acaba afastando o publico de filmes que podem ser geniais, tão ou mais assustadores que aquilo que costumamos chamar de terror.

Um pedido

Finalmente, os fãs do “gênero” sugiro essa reflexão: Alguma vez deixaram de assistir ou de gostar de um filme porque ele não parecia se enquadrar? Espero que as respostas sejam negativas, mas, para os disserem sim, sugiro um esforço para assistir o documentário “Inside Jobs” – se você não se encher de medo…. conversamos.

Deixe uma resposta

Fechar Menu
Close Panel